PEDALBOARD DO MAURÍCIO BARROS (JNKTR) – PEDAL_UPDTR#5

cabecalho

Quando comecei a escrever esta matéria comecei buscando algumas imagens do Maurício pela internet e também na página da banda no facebook (Justine Never Knew the Rules), no meio da busca vi que o status de amigo datava já desde 2014, época em que minha banda lançava seu primeiro EP, e desde então esse lance com a guitarra e efeitos sempre nos conectou em bate-papos, conversas de camarim e encontros à sorte, sempre ávidos por dar aquela sacada no pedalboard do outro e ver se tinha alguma novidade desde a ultima gig.

Desde as primeiras vezes que dividimos o palco já surgiu uma certa afinidade por sermos ambos guitarristas canhotos e nesse nicho eu posso afirmar que não é todo dia que a gente se esbarra. Papos como dificuldade para encontrar instrumentos de qualidade, curiosidades sobre como cada um começou a aprender a tocar, o que já ouvimos de professores e de outros músicos nessa estrada a fora, enfim, coisas de canhoto haha

O som da Justine Never Knew the Rules é marcado por camadas, ambiências delays e reverbs em tudo que se pode colocar. Vozes, guitarras, baixo, bateria, tudo acaba recebendo esse verniz. Atualmente a banda possui um baterista fixo, ou quase isso. Uma das características que sempre marcou a JNKTR é a do músico multi-tarefa. Inicialmente formada apenas por Marcel Marques, Bruno Fontes e Maurício Barros, os shows eram repletos de trocas de instrumentos e não havia necessidade de definir um músico por instrumento pois todos acabavam tocando de tudo.

Com a entrada do Gabriel assumindo as baquetas e hora ou outra também as guitarras, os papéis ficaram um pouco mais fixos mas ainda assim permitindo trocas sempre que necessário ou conveniente.

Sem mais introduções vamos ao que interessa!

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A densidade sonora da Justine Never Knew The Rules é um grande desafio para que tudo soe em conjunto sem anular a participação de nenhuma parte instrumental. Além da criação das linhas melódicas e harmônicas também o aspecto espacial e a propagação do som dos instrumentos influencia muito na coesão da banda. Soar nítido ou fazer com que seu som seja somado às  ambiências e outros instrumentistas pode ser uma missão quase impossível, mas o resultado pode ser surpreendente. Uma das características que me chamou atenção foi descobrir que o Maurício usa o pedal de reverb no início da cadeia de pedais, logo após o wah-wah, um convite à experimentação que não segue as convenções “absolutas” que sempre vemos por aí sobre ordem de pedais.

E agora com a palavra o entrevistado de maio e grande amigo:

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entrevista Maurício Barros

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Acho que seria o PROCO Rat 2. Ele é bem versatil e suas regulagens “crocantes” aliada a alavanca resulta em um timbre que me agrada muito.

Se estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Um afinador rs
Você pode usar os pedais que quiser (ou mesmo não usar nenhum) pra fazer seu som. Mas se não tiver afinado, não rola.

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que está pensando em adicionar em seu pedalboard?
Ultimamente estou considerando adicionar algum sistema de seleção e mudança de efeitos, um programmable pedal controller como o Joyo PXL. Você liga todos seus pedais nele e tem a possibilidade de criar presets de quais serão ligados, dando a possibilidade de ligar vários pedais em um click. Isso ajuda muito pois em algumas músicas preciso ficar sambando em cima do pedalboard e nem sempre isso dá certo. Penso também em trocar meu Wah Wah da Vox por um Sound Malogi ES-3 ou um Fender Fuzz-Wah.

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista.

Das bandas clássicas gosto muito do Kevin Shields (My Bloody Valentine), William Reid (Jesus and Mary Chain), Will Sergeant (Echo and the Bunnymen). Da “nova geração” gosto muito do Oliver Ackermann (A Place To Bury Strangers ) e Scott Cortez (Astrobrite). Também me inspiro muito nos meus companheiros de cena Lou Marcello (Wry) e Thiago Altafini (Travelling Wave).

Como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Sempre experimentando. Vou alterando a ordem e buscando o som que mais me agradava. Dá um trabalinho mas é uma experiência legal para quem gosta de pedais. Para quem tem preguiça disso, existem convenções de ordens que você encontra na internet mas não existe uma regra absoluta, depende muito do som que você está buscando. Eu por exemplo uso o reverb antes das distorções porque dá um som meio esquisito e me agrada. A maioria das pessoas preferem usar depois. Minha dica é estudar como o pedal que você comprou altera o formato da onda gerada e, a partir disso, experimentar todas possibilidades que você quiser até encontrar o som que mais te agrada.

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Acho bem relativo. Já vi guitarristas tirarem um som incrível com pedais Behringer e guitarristas tirarem um som horrível de pedais que são considerados de excelente qualidade pelo senso comum. Pela minha experiência, não podemos nos limitar ou não fazer um som por não ter certo equipamento. Tem que ir se virando com o que tem, e quando possível ir trocando seus equipamentos de acordo com a disponibilidade financeira e necessidade musical.

Você tem uma rotina de estudos? Se sim cite com que frequência e como você divide seu tempo?

Eu nunca estudei depois que aprendi o básico, quando tinha uns 10 anos. Fui me adaptando vendo os guitarristas que gosto tocando ao vivo, na TV e escutando os mais variados estilos musicais. O que faço bastante é experimentações com pedais, pitches, arcos, e formas não muito convencionais de tocar guitarra e criar timbres.

 

Recentemente seu set de pedais passou por uma boa redução, é verdade? Quais foram os motivos e de que forma você decidiu que pedais manter em seu set? Se lembrar, cite também as principais mudanças que seu pedalboard já sofreu.

Sim, é verdade. Percebi que estava perdendo ganho devido a grande quantidade de pedais. E alguns deles eu não usava, estavam lá por preguiça de reorganizar tudo (quem usa bastante pedais sabe o trabalho que dá reorganizar tudo rs). Eu tirei o Shoegazer, um fuzz descontrolado da Devi Ever, e um Phase Shifter da Boss.

 

Pedais:

pedais_guitarra_independente

Afinador Polytune nano

Wah Wah Vox

Reverb Holy Grail Max

Proco Rat

Blues Driver BD-2

Tremolo Stereo Pulsar

Delay Line 6 DL4

Micro Amp MXR

Guitarra:

Fender Jaguar Kurt Cobain Signature

Amplificador:

Cabeçote Orange OR15 + Gabinete Orange PPC Open Back 120W 2×12 Falantes Celestion Vintage

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