PEDALBOARD DO CAIO ANDREATTA (CAPELA) – PEDAL_UPDTR#6

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Em abril tive a oportunidade de tocar com a Bit Beat Bite Bright no projeto global Sofar Sounds junto com as bandas Corcel e Aloízio. A diferença dessa iniciativa é que o público só fica sabendo que banda vai tocar na hora do show, e geralmente são 3 a 4 bandas com shows intimistas de poucos minutos.

O mais legal é que depois de participar do evento fiquei muito interessado em participar dos demais, aproveitando que agora estão acontecendo mensalmente também em Sorocaba, e foi no Sofar de junho que tive a oportunidade de conhecer a banda Capela.

Com letras em português me chamou a atenção o fato de serem apenas 3 músicos se apresentando, sendo voz, 1 violão e 1 guitarra, ambos contribuindo também nos backing vocals. Se tem uma coisa que me agrada é o bom gosto que alguns guitarristas têm para o uso de ambiências e efeitos, é aquela repetição do delay que fica sobrando no final da música ou uma nota abafada que entrega aquele pouquinho de reverb, mas bem lá no fundo da harmonia.

Além da parte eletrônica também me chamou a atenção a criatividade da banda para completar os arranjos ao vivo com backnig vocals, pandeirolas e um dos pontos que mais me chamou a atenção foi que o Caio usava também um bumbo de bateria em algumas músicas, mantendo a base rítmica bem marcante. Na banda Caio utiliza muito o violão, que casa muito bem com a proposta da banda, que tem um peso muito marcante no vocal do Gustavo Rosseb. Mas o que me surpreendeu foi que o Caio utiliza o violão com pedais que geralmente achamos serem mais indicados para guitarras. Das bandas que sigo e vou atrás de informações, geralmente o set para instrumentos acústicos se resume a um pedal de DI ou, no máximo, algum pedal específico de equalização.

Em minha banda sempre temos dúvidas quando vamos participar de uma entrevista em rádio ou tocar em algum evento que as guitarras não são bem vindas. Acabo sentindo falta dos efeitos, das modulações e as vezes uma coisa que funciona de um jeito para guitarra pode soar totalmente diferente com o violão.

Tive a oportunidade de conversar com a dupla de guitarristas Caio Andreatta e Leo Nicolosi e apresentar meu blog e minhas intenções. Ambos foram muito legais comigo e logo de cara se mostraram muito animados para trocar uma ideia sobre equipamentos, inclusive aproveitei para já fechar uma matéria para cada um.

Ali mesmo no pós show percebi que ambos utilizam pedais de pitch que alteram o som do instrumento para uma oitava abaixo. Com isso é possível alternar quem faz o que a cada música sem perder as frequências mais graves dos arranjos, já que a banda não se apresentava com baixista. Além disso delays e reverbs acontecem durante todo o show, com frases hora delicadas e hora mais densas, conforme a necessidade da ocasião.

Antes de seguir para a entrevista do Caio (abaixo), recomendo que você conheça o som do Capela:

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entrevista Caio Andreatta

 

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Wha Wha. Acho que é um pedal que você consegue usar de diferentes maneiras, criar diferentes climas e sonoridades com muita dinâmica.

Eu uso um CryBaby 95Q e, embora ele seja de sensor e tenha um pequeno delay para desligar, acho bastante prático e fácil para usar no palco.

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você compraria?

Seria um delay. Lembro que quando comecei a tocar, ficava desenhando o pedalboard que teria dali uns anos. Tinha uma pedaleira e um wha externo, mas sonhava com um delay, pois havia visto em uma das minhas primeiras aulas de guitarra, o meu professor mexendo num dd3 e gerando ruídos e atmosferas com o feedback e tempo. Um tempinho depois, consegui finalmente o meu dd3, rs! Ele foi o meu segundo pedalzinho.
Você sente falta em seu set ou está pensando em adicionar algum pedal novo em seu pedalboard?

Sinto um pouco de falta de um reverb com mais bancos para salvar timbres.

Atualmente uso o Flint da Strymon (que sou apaixonado), mas penso em comprar um maior, como o Big Sky ou algo do tipo.

Como uso um set para violão e guitarra juntos, sinto que poderia explorar mais alguns timbres, e por o Flint ser um pedal com apenas uma regulagem de reverb e uma de tremolo, acabo tendo que mudar os parâmetros entre as músicas se quero algo diferente entre elas.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista.

Acho que hoje em dia eu vivo numa constante busca de timbres nos instrumentos. Pelo fato de usar mais instrumentos acústicos do que guitarra no Capela, tenho testado mais pedais no violão, resonator, bandolin e viola caipira. Mas gosto muito não só do timbre, mas da maneira de tocar da guitarra baiana, guitarra do pará, brasileira no geral.
Já pensando nos timbres mais modernos, gosto muito dos sons do Bon Iver.

 

Como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Eu costumo testar, mas geralmente monto uma ordem base e vou a invertendo até chegar no som que me agrada mais. No momento tenho usado primeiro o afinador, seguindo para os crunchs e boost, oitavador, delays, reverb, tremolo, direct box e por último um ab.

 

Durante o show que vi você usou um bumbo de bateria e a formação era de duas guitarras/violão e voz. Como esse formato reduzido influenciou a sua escolha pelos efeitos e equipamentos, já tinha visto outros artistas utilizando um bumbo separado no palco?

O Capela surgiu de encontros que fazíamos semanalmente para criar. Mesmo compondo em trio, arranjávamos as músicas de acordo com o que imaginávamos, e nisso, quando entramos em estúdio e saímos para tocar, a banda foi crescendo.

Hoje somos em 12 pessoas no palco, mas para shows menores, viagens e alguns programas é bem difícil levar a banda toda. Por esse motivo montamos arranjos para o trio que tente suprir a banda, e nisso começamos a experimentar instrumentos de percussão, como bumbo, pandeirola no pé, ovinho, triângulo e tamborim.
Nós já tinhamos visto o bumbo sendo usado em algumas bandas de “folk” e “bluegrass”, o que abriu a nossa mente para tentar encaixar no nosso formato.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como músico e principalmente como guitarrista?

Não tenho uma rotina muito certa de estudos, acabo estudando mais quando estou compondo. Trabalho também como arranjador e produtor musical, além de dar aulas em uma escola municipal de arte. Acredito que essas atividades são essenciais, pois tenho que me manter sempre atualizado e fora da minha zona de conforto.
Já pensando em timbres, estudo bastante quando estamos montando um show ou ensaiando um novo álbum.

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Eu acho que os amantes de pedais vivem numa constante busca dos timbres perfeitos. O pedalboard nunca está completo. A cada novo trabalho existe uma escolha de sons de acordo com o conceito e proposta. Uma coisa é fato: no Brasil as marcas mais conhecidas são bem caras. As chamadas de “boutique” você as vezes nem encontra, e quando encontra são absurdamente caras.

Existem muitos “luthiers eletrônicos” que fazem pedais “handmade” com uma qualidade muito boa. As vezes são pedais inspirados em clássicos mas com pequenas modificações ou com melhorias. Tem também as marcas menos conhecidas com um custo benefício melhor, mas nesse caso eu aconselho a pessoa a testar o efeito escolhido e ver se atende o que ela está procurando.
Pra quem quer uma coisa mais prática, também a opção das pedaleiras. Um tempo atrás tive que fazer um trabalho que exigia muitos timbres diferentes, então optei em comprar uma. Pesquisei bastante e depois de um tempo comprei uma “Tonelab” da “Vox”, que é valvulada. A minha implicância com pedaleiras sempre foram os crunchs e drives, pois sempre achei muito artificiais, mas nesse caso me atendeu bem, embora eu não tivesse a gama de regulagens que os pedais me dão.

Pedalboard do Caio:

Boss TU2

Fulldrive 2 Mosfet

Keeley Katana

Boss OC3

Line6 DL4

Strymon Flint

Boss AB-2 Way Selector

Para Acoustic DI LR Baggs
pedais_guitarra_independente-ALT

 

Guitarras:

Nos shows eu tenho usado bastante uma Gretsch Electromatic e uma Fender Telecaster Highway One.

 

Violões:

  • Martin 000-15m
  • Martin Dcx1e
  • Yamaha aex500n (nylon)
  • Resonator Strinberg

Em conversa com o Caio ele comentou sobre a eficácia da captação LR Baggs M1 active que acabou adotando para os dois Martins, que geralmente alterna entre os shows. Em outras ocasiões ele usa também um violão de nylon ou o resonator.

 

Amps:

Alterno entre um Orange Tiny Terror com uma caixa Marshall JCM 800 vintage e um Fender Blues Junior III.

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