PEDALBOARD DO LUÍS COUTO (DEVISE) – PEDAL_UPDTR#9

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O papo com a banda Devise rolou durante um show que tivemos oportunidade de fazer juntos em Sorocaba em um dos eventos do estúdio Solana Records. A banda estava em passagem por São Paulo para o lançamento do mais novo álbum “Petricor”.

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foto por @phillipeguimaraes

Na ocasião tive a oportunidade de assistir a passagem de som da banda e quando tudo estava redondo aproveitei para apresentar o blog e a ideia de fazermos uma matéria com os guitarristas da banda (Bruno e Luís). Todos foram muito receptivos e aproveitei para tirar algumas fotos dos sets de pedais, ambos recheados de efeitos clássicos.
A Devise possui dois guitarristas sendo um deles o Luís, que é também o vocalista da banda. Essa ideia de fazer linhas de guitarra e cantar ao mesmo tempo sempre me animou a compor e a seguir guitarristas que administram essas duas habilidades no palco.

 

@ceciulha
foto por @ceciulha

No departamento das 6 cordas da Devise fica claro que os humbuckers são uma escolha obrigatória. A forma como as músicas são compostas em português, mas carregadas de referências de Britsh Rock mostra como uma boa letra aceita qualquer tipo de tempero musical e que, com um arranjo criativo, é possível combinar duas lead guitars sem deixar nenhuma nota para trás, assim como aprendemos com The Rolling Stones, Oasis, Queens of the Stone Age, entre outros.

Além do Luís e do Bruno a troca de ideias musicais se estendeu para a banda toda e logo estávamos falando sobre a cena independente de São Paulo e Minas Gerais e suas particularidades, mas isso é assunto para um outro post.

 

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O último álbum da banda, Petricor, está disponível nas principais plataformas de streaming como spotify, itunes e youtube.

A música Indra foi escolhida como a melhor música nacional de 2017 pelo site Me Indique uma Banda:

 

 

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entrevista Luís Couto

 

 

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Se pudesse usar somente um pedal no show, que pedal seria?

Sem dúvida o Ibanez Tube Screamer TS9. Ele é a base do meu som, apesar de eu usar também sempre um MXR Dyna Comp junto. Meu som na Devise tem base muito forte de drives e todos começam nele.

 

Se você estivesse começando hoje, qual seria o primeiro pedal que iria adquirir?

Afinador não conta, né? (rs). Seria o mesmo da primeira pergunta (Tube Screamer TS9) porque tudo do meu som parte dali. Até em estúdio, a ideia é reproduzir bem o que faço ao vivo, então não teria dúvida. É o som de overdrive que mais gosto. Além de achar que é um pedal que tem uma versatilidade boa.

 

Tem algum pedal que sente falta em seu set ou que está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Estou sentindo falta de um drive intermediário entre o TS9, que uso como drive mais leve e o RAT, que uso com o knob de distortion BEM alto e mais grave, inspirado nas distorções mais pesadas do Black Rebel Motorcycle Club. Eu usava um Elephant Gun, pedal b side da Stomp Audio Labs (marca handmade de BH, excelente), mas comecei a ter uns problemas de ruído na cadeia. Aí hoje faço esse “drive intermediário” controlando o distortion do RAT, mas como eu sou vocalista também, prefiro apenas ter que pisar em um pedal pra resolver essa questão. Ainda estou estudando qual pedal vou usar, mas acho que algum outro handmade de BH ou outro distortion da própria Stomp. Acho importante fortalecer esse tipo de produção local.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista.

Aqui no Brasil tem vários artistas independentes que eu admiro e que me influenciam muito como guitarrista. Destacaria a galera do Kill Moves, The John Candy, OTSD, Ego Kill Talent, Garage Fuzz e Vaga Luz. Esses eu tive que citar a banda porque eu acho que as guitarras funcionam maravilhosamente bem juntas, e algumas tem até mais de dois guitarristas. Tem também o Matheus Fleming, Lê Almeida, Vitor Ávila (Young Lights), Zeek (Mudhill), Dennis Guedes (The Outs) e o Giuliano de Landa (Fundamental Zero). São guitarristas bem diferentes, mas cada um muito preciso dentro do seu contexto.

Minha grande influencia na música como um todo é o Noel Gallagher. Acho ele impecável e muito cuidadoso com os sons que ele cria. Das composições até o timbre. Mas tem outros caras que me influenciam muito: Pete Townshend (The Who), Johnny Marr (The Smiths), John Squire (The Stone Roses), Gem Archer (Oasis/Heavy Stereo), J Mascis (Dinosaur Jr.), Kurt Cobain (Nirvana), Albert Hammond Jr. (The Strokes) e vários outros. Ultimamente tenho pirado muito no som de guitarra do Matt Mason, da banda australiana DMA’s.

 

Qual sua experiência com pedais e como você os escolhe e ordena? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Eu amo pedais e estou sempre pesquisando, apesar de ter mudado relativamente pouco meu set até hoje. Acho que porque pesquiso bastante antes o que vai encaixar no som que preciso. Começo sempre pelo afinador, tenho um Wah Wah ali também (apesar de quase nunca usar), compressor e drives, fuzz, booster, depois vou pras modulações e o echo. No final, passo um equalizador em tudo! Minha dica é entender bem que som você quer fazer antes de escolher os pedais e tentar ter um som com personalidade, que seja realmente a sua cara. Tem infinitas possibilidades pra isso. Outra dica: se puder, não desfaça dos pedais caso você os tire do pedalboard. Alguma hora você pode precisar! (rs)

 

Como você trabalha seu set considerando que a Devise possui dois guitarristas? Você teve que fazer algum setup diferente para que o som das guitarras casasse? Cite também como isso influencia na hora de compor suas partes de guitarra.

Eu e o Bruno viemos de escolas muito diferentes de guitarra. Ele vem dessa coisa anos 70 com alguns sons mais modernos e eu sou mais da galera do final do anos 80 (Smiths, Echo & The Bunnymen e etc.) com muito do britpop e o rock alternativo americano dos anos 90. Pensamos muito em casar o som das guitarras sem que cada um perdesse a sua personalidade. Acho que conseguimos chegar em um equilíbrio bem interessante e isso de certa maneira formou uma característica bem forte da banda. A gente se completa sem que um esteja totalmente distante do outro. Somos abertos também, o que facilita o diálogo das guitarras dentro da música. Acho que também a gente acaba sendo influenciado um pelo outro. Aprendi muito nesses anos de banda com ele e isso mexeu com meu jeito de compor também.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como se organiza para manter-se em dia como músico e principalmente como guitarrista?

Sinceramente, sempre me preocupei mais em relação aos timbres do que com a prática em si. Como eu faço principalmente as bases no show, acho que é bem tranquilo. Obviamente existe uma prática semanal para as coisas estarem 100% quando estivermos no palco. Faço isso tanto para a guitarra, quanto para a voz. De um a três ensaios por semana, varia porque além da música tenho outro trabalho. E também temos os ensaios com a banda, mas como nem todos moram na mesma cidade, esse compromisso de estudar em casa, mesmo que apenas as músicas que sempre tocamos nos shows, é fundamental.

Trajetória: fui guitarrista autodidata nos cinco primeiros anos de prática e sempre toquei em alguma banda (acho que é o melhor jeito de aprender a tocar). Depois estudei guitarra na Pro-Music, que é uma escola muito legal em BH, por onde passaram vários caras incríveis da música mineira. Quando morei em São João Del Rei também estudei guitarra por um tempo. O engraçado é que sempre que fiz aula, meu foco era o Jazz (uma coisa que nunca toquei fora da minha casa e das escolas que estudei). Hoje tenho menos tempo pra estudar esse tipo de coisa e foco nas composições da banda. Acho que nem sei mais tocar Jazz (rs).

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Apesar de ser fã de algumas marcas específicas (Electro Harmonix, especialmente) acho que temos ótimas opções em praticamente todas as faixas de preço. Claro que em geral, um pedal mais caro, não é mais caro por acaso. Mas já vi tanta gente tirar timbres incríveis com pedais extremamente simples. O importante é extrair o melhor possível do equipamento como um todo. Não é só o pedal. É você, a guitarra, os captadores, os pedais, os cabos e o amplificador. Além disso, temos ótimas marcas handmade começando agora e, por isso, com bons preços. Indico procurar na sua cidade, sempre.

 

Durante o show que vocês fizeram em Sorocaba pude ver que você usa um set de pedais bem extenso. Como você navega por tantos efeitos durante o show e quais os efeitos que você mais usa? Você já teve algum problema com a perda de sinal devido ao grande número de efeitos? (cite também se tiver alguma dica para outros guitarristas)

Como eu canto, já tenho que ter tudo bem mapeado ali. Na Devise o que mais altero são drives, booster e echo, então coloquei todos na parte de baixo do set, facilitando o acionamento deles. Foi a melhor maneira que encontrei para eu ficar confortável para trocar os efeitos enquanto canto.

Não tive problemas com perda de sinal ainda. Sou bem satisfeito nesse sentido. Meu pedalboard foi customizado pela Guitarock Pedalboards que tem um trabalho muito bom auxiliando os guitarristas desde a escolha da ordem dos pedais, organização, até a montagem do pedalboard, cabos e toda elétrica do set. Indico bastante o trabalho deles. Além disso, uso um pedal supply que aguenta bem a quantidade de pedais. A dica é usar bons cabos e uma fonte legal, sempre!

 

Em nossa conversa você comentou que integra outras bandas em Minas Gerais. Como você administra seu timbre com diferentes formações e estilos musicais?

Eu acho que tenho um som meio que característico de guitarra e ele se aplica bem nas duas bandas que toco, só preciso cuidar de algumas pequenas diferenças no timbre. Então montei esse set pensando em tudo que precisaria pra atender as bandas que toco. Tenho tudo (ou quase tudo) que preciso ali. Dessa forma uso ele em todas as ocasiões e só altero algumas configurações (pouca coisa).  Na Devise a atenção maior é nos drives, já no Churrus (minha outra banda) tenho um olhar bem cuidadoso para as modulações e echo. Então dá pra administrar bem sem precisar acrescentar novos pedais.

 

Lista de equipamentos do Luís:

Guitarra que mais usa: Gibson Custom ES 355 com bigsby

Amplificador: Hiwatt T20 HD ou Fender Blues Jr.

 

 

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Pedais:

TC Electronic Polytune

Dunlop Original Cry Baby Wah GCB 95

Compressor MXR Dyna Comp

Ibanez TS9 Tube Screamer

Electro Harmonix Big Muff Pi USA

Proco RAT

Seymour Duncan Pickup Booster

MXR Phase 90

Boss Tremolo TR2

Electro Harmonix Chorus Neoclone

Boss RE20 Space Echo

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