PEDALBOARD DA BRUNA VILELA (MIÊTA) – PEDAL_UPDTR#10

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Na entrevista de janeiro falei um pouco sobre a passagem que fiz por Minas Gerais, onde conheci a banda Zonbizarro, e tive o prazer de estrear 2017 com a entrevista do guitarrista Rafael Zon. Agora, vários meses depois, a banda se expandiu em dois novos projetos tendo Rafael Zon à frente da instrumental Leões de Marte e o baterista Luiz Ramos assumindo as baquetas da Miêta, esta última composta também por Marcela (baixo e vocal), Célia e Bruna Vilela (guitarras).

Há um tempo troquei uma ideia com o Luiz sobre uma entrevista com as guitarristas da banda, porém a ideia acabou ficando engavetada até que recebi um toque da Marcela em um dos posts da página sobre fazer matérias com mais guitarristas mulheres. Foi desse contato que surgiram várias recomendações de bandas feitas pela Marcela e tratei logo de marcar a próxima entrevista com uma das integrantes da Miêta.

Mais do que gerar um conteúdo para os guitarristas independentes e auxiliar a divulgação de bandas, fico muito contente por satisfazer minha curiosidade sobre os timbres de outros guitarristas e muito agradecido por todos que topam apoiar esta ideia. Abaixo segue o primeiro clipe que assisti da Miêta feito com imagens da estrada que nos permite acompanhar o quarteto em suas descobertas como banda Brasil a fora.

 

 

E vamos à entrevista do mês!

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entrevista Bruna Vilela

 

 

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Há quanto tempo você toca guitarra e como foi seu início no instrumento?

Comecei a tocar violão com 7 anos de idade e depois passei gradualmente para a guitarra, por sentir mais afinidade com o instrumento e por me enxergar compondo meus sons de uma forma mais orgânica nele. Tive um período em que fiquei parada desde esse início até hoje e tive aquela fase também de levar tudo bem na brincadeira. Mas dos 16 anos pra frente, depois de ter estudado um pouco de violão clássico também, eu vi que a guitarra era minha paixãozinha mesmo e não consegui mais ficar sem.

 

Atualmente quais são os equipamentos que você leva para os shows? Guitarras, pedais, efeitos, amplificador?

Geralmente, levo apenas a guitarra , cabos, os meus pedais e uma fonte. Meu amplificador levo apenas quando é preciso, quando o lugar não possui dois amplificadores legais pra banda ou quando os produtores do evento pedem.

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Cite como é o timbre ideal de guitarra para você dentro da banda. O que caracteriza seu som de guitarra e se tem algo que você está tentando/querendo mudar.

Acho que o timbre ideal mesmo varia de acordo com a sua proposta e, acima de tudo, com a proposta e a organização sonora da banda em que você toca. O timbre de guitarra que eu tenho na Miêta é bem magro e cheguei nisso de forma bem orgânica. Eu realmente gosto mais de timbres abertões e agudos e temos duas guitarristas na Miêta. A minha guitarra sempre contrapõe a da Célia e vice-versa. Acho que conseguimos casar as duas bem por já tocarmos juntas há um bom tempo. Mas se tem uma coisa que nós duas gostamos muito e sempre vamos usar juntas é delay e reverb (rs).
Sobre o que eu quero mudar, ainda quero adquirir uma capacidade maior para mesclar timbres e variações, apurar o ouvido e também testar novas texturas. Mas isso vamos experimentando com o tempo e experiência e não tem uma direção específica pré-definida. Tem que ir vivenciando e estudando mesmo.

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Com certeza, seria um pedal de delay. A marca talvez não importe muito, se eu já estou com a limitação de escolher só um pedal (rs). Mas talvez um Memory Boy ou o meu Flashback Delay mesmo, que já é quase meu filho.

O reverb e a distorção eu poderia conseguir no ampli e timbrar tudo de uma forma que fique minimamente confortável pro set do show (já fiz isso, inclusive, em um dia de azar em que esqueci meus pedais em casa).

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Eu poderia falar que seria um pedal de distorção (SD-1 da boss ou o RAT), mas acho que permaneço com o delay.

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Sinto muita falta de um pedal de reverb e de um fuzz bacana. E, ultimamente, tenho ficado bem tentada a comprar um pedal de flanger. Acho que um reverb e um flanger vão ser minhas próximas aquisições e, mais pra frente, invisto no bom e velho Big Muff.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista. Pode citar de bandas famosas também.

Nossa, é muita gente. Queria falar um pouco do motivo de eu citar cada um/uma, mas vou escolher alguns e deixar o trem arder.

Guitarristas nacionais-independentes: Gabriel (Ventre), Rodrigo (In Venus), Flávia Biggs (The Biggs), Rita (Papisa), Katherine (Katze Sounds), Nathane (Chico de Barro), Eddie (Lava Divers), Kim (Pelos), Fábio de Carvalho, Fernando Motta, Gabi (My Magical Glowing Lens), Desirée (Harmônicos do Universo), Dedig (Zimum) Sabine Holler e Célia (Miêta rs).

Tenho certeza de que tô esquecendo um monte, mas me coloquei o limite de cinco minutos só para pensar e quinze nomes só.

Guitarristas internacionais: Theresa Wayman (Warpaint), Joni Mitchell, Annie Clark (St. Vincent), Vini Reilly (The Durutti Column), Carrie Brownstein (Sleater Kinney), Jimi Hendrix, Zachary Cole Smith (Diiv), Mark Knopfler, Thurston Moore (Sonic Youth), Nick Drake (é violão, mas continua influenciando), Sister Rosetta Tharpe, Munaf Rayani (Explosions in the Sky), Courtney Barnett, Rachel Goswell (Slowdive), Johnny Marr (Smiths), .

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Qual sua experiências com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Minha experiência com pedais começou um pouco tarde. No início, eu só tinha um pedal de distorção da Boss emprestado de um amigo e depois comprei um ampli da Marshall que apresenta várias opções de efeitos. Fiquei brincando com isso e depois comprei o Flashback Delay. E, aí, depois dele, veio o RAT e um chorus da Danelectro.

No meu set hoje, tenho primeiro as distorções (Um proco-Rat e um sd-1 da Boss), depois o chorus como pedal de modulação e depois o delay.

Acho que isso tudo depende muito do estilo que você toca e da sua banda, das pessoas que tocam com você. Acho que a gente vai sentindo gradualmente as nossas necessidades enquanto guitarrista. Não precisa comprar um pedalboard inteiro de uma vez. Mesmo porque, a gente tem que saber ir construindo nosso som e saber como ele se encaixa na nossa banda.

22538194_1509869189105519_447191659_nMinha dica pra quem tá começando é se analisar primeiro, pensar no estilo que você toca, no som que você quer tirar e depois ir procurando com amigos guitarristas, na internet e com outros músicos o que é melhor pra você. Pensa na primeira coisa que você acha que vai precisar muito nas músicas da sua banda e nos seus shows e depois vai adquirindo o resto e montando aos poucos, fazendo uma pesquisa também entre as marcas pra saber o que vai te agradar mais. Às vezes, pode existir o pedal mais caro e elogiado do mundo, mas você pode não curtir o timbre dele dentro do seu estilo e da sua banda.

 

Como a formação da Miêta, com 2 guitarras, influencia o seu jeito de compor e utilizar timbres diferentes, há alguma regulagem que você precisa fazer para encaixar com o som do resto da banda?

Como eu disse antes, eu e Célia (a outra guitarrista) tentamos sempre nos contrapor e complementar. Nunca uma está fazendo a mesma coisa que a outra. Se ela está criando ambiências na pedaleira dela, eu vou pros arranjos e riffs mais sólidos. Se eu estou na parte aguda do braço da guitarra, ela vai pro grave. Célia também tem uma capacidade enorme de criar riffs grudentos e cativantes, enquanto isso, meus riffs e solos são mais viajados (mas não necessariamente de ambiência).

22554361_1509868649105573_1671666212_nMas, naturalmente, tenho um timbre mais magro (minha guitarra é uma Jaguar, que tem um timbre natural já bem aberto também) e ela, um mais gordo. Além disso, sabemos que fazemos muito barulho e que a Miêta é uma banda que toca muito alto, com várias camadas de ambientações, solos, distorções e etc. Então, temos que tomar cuidado para modelar bastante nosso timbre para que o som da banda não vire um bololô só ao vivo. Sempre jogo o médio do ampli no último grau.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como musicista e principalmente como guitarrista?

Na minha rotina atual, com faculdade, trabalho e as turnês com a banda, não tenho conseguido estudar da forma como queria. É algo que pretendo e preciso muito fazer em breve. Preciso parar pra sentar a bunda na cadeira e voltar a estudar teoria e ter tempo pra realmente experimentar e investigar novas possibilidades. Ultimamente, consigo pegar a guitarra em casa poucas vezes por semana para tocar e, além disso, tenho me preparado apenas para os shows e gravações mesmo, .

Mas tento me manter sempre em dia, consumindo vídeos ao vivo de guitarristas que gosto e conversando com músicos que admiro.

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais ou equipamentos em geral? Reparei que nos shows mais recentes você está tocando um guitarra diferente. Pode comentar sobre essa mudança?

Bom, como já disse, tudo tem que ser muito pesquisado e comparado de acordo com a nossa necessidade enquanto guitarrista singular e, principalmente, enquanto guitarrista de tal e tal projeto. Quando eu tenho realmente uma fixação por um pedal x, eu não me importo de pagar caro por ele. Mesmo porque, sabemos como o mercado é. Agora, também acho muito válido pesquisar, pois alguns pedais artesanais de produtores independentes ou de marca x, que muitas vezes passam batido pela hype do mundo guitarrístico, podem te servir muito bem mesmo. Com o meu chorus da Danelectro foi assim. Ótimo custo-benefício.

A minha guitarra atual é uma Fender Squier Vintage Jaguar e foi uma das melhores aquisições que eu fiz na vida. Já brinquei que eu não vou usar outro modelo de guitarra a não ser jaguar pro resto da vida. Também comprei ela nova por um bom preço no Mercado Livre. Foi um passo necessário porque minha guitarra antiga já era bem velhinha e bem iniciante. E hoje tô feliz com os timbres que consigo nessa jaguar e com a qualidade dela. Além de ser lindona demais (rs).

 

Pedais e ordem de efeitos:

  1. Proco RAT
  2. Boss Super Overdrive SD-1
  3. Danelectro FAB Chorus
  4. tc electronic Flashback Delay

pedais
(Atualização: a Bruna nos passou que a ordem que ela está usando atualmente é Proco RAT antes do Boss SD-1)

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