PEDALBOARD DO FLÁVIO MIRANDA (RADIOHEAD COVER BR) – PEDAL_UPDTR#11

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O bate papo com o Flávio foi um desses pós show em que a gente quebra a timidez e parte para conhecer gente interessante e que curte as mesmas coisas, falar sobre música trocar ideias sobre projetos e impressões.

Já havia se passado mais de um ano que eu havia assistido a Radiohead Cover Brasil e após um show em que toquei nesse mesmo bar tive o prazer de conhecer e o Flávio e combinar esta que hoje é penúltima entrevista antes do Guitarra Independente completar 1 anos de vida.

Achei que seria bem interessante conversar com um guitarrista que além de atender aos próprios padrões e preferências pessoais também precisa representar timbres de uma referência já conhecida pelo público, ainda mais em se tratando de uma banda tão inquieta como a Radiohead.

 

E vamos à entrevista do mês!

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entrevista Flávio Miranda

 

 

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Cite quais foram/são os principais desafios para você como guitarrista, dentro da proposta de reproduzir com fidelidade o som de uma banda como a Radiohead.

thumbnail_pc05Acredito que o grande desafio foi o desenvolvimento como músico de uma forma generalizada. No Radiohead Cover Brasil faço as partes do Jonny Greenwood, músico e compositor muito completo. Suas partes envolvem não só as linhas de guitarra, mas também Synths, teclados, programações, beats eletrônicos, rádio, percussões, samplear e mixar em tempo real a voz do vocal e passar pelos pedais da guitarra entre outros experimentalismo. Em muitos casos ele faz constante troca de instrumentos durante a execução de uma mesma música.

 

Mesmo realizando o tributo ao Radiohead acredito que existe espaço para escolhas que caracterizam seu som como guitarrista individual, está correto? Em seu set onde você diria que termina a reprodução fiel e começam as escolhas do Flávio Miranda, é possível discernir desta forma?

Minhas escolhas acabam ficando mais explícitas em outros projetos. No Radiohead Cover Brasil (uma banda tributo) procuro reproduzir com o máximo de fidelidade os timbres que os fãs estão acostumados a ouvir nos shows e versões ao vivo do Radiohead. Algumas escolhas diferentes são em função das reduzidas dimensões dos palcos em que tocamos, alguns pedais foram substituídos por versões ou similares menores. Outras pequenas escolhas foram para ter um som com maior fidelidade. Um exemplo são Loopers para diminuir a cadeia de pedais em série.

 

Radiohead é uma banda de muitos timbres texturas e ambiências, de que forma isso influencia suas escolhas em termos de equipamento (guitarras, pedais, amplificadores, acessórios, etc.)?

Foi um trabalho constante de pesquisa e aperfeiçoamento. Sempre analisando diversas versões ao vivo para entender o papel de cada integrante e o que estavam usando. Estudamos muito também em fóruns, grupos, blogs…

No início nossos equipamentos não eram similares aos usados pelo Radiohead, improvisávamos com o que tínhamos disponível. (Ex. Wha Wha no lugar de Envelope Filter).  Ao passar dos anos fomos nos aproximando cada vez mais da sonoridade e equipamentos.

 

Qual é o timbre que melhor define suas preferências pessoais como guitarrista? Se quiser pode citar uma música que representa melhor esse tipo de som.

thumbnail_pc03.jpgPessoalmente gosto muito do timbre de um amplificador fender saturado (Bassman Brownface ou Fender Deluxe) um tape delay e um fuzz oldschool bem podre. Recentemente adquiri um Fuzz Regvlvs VIII* e estou amando. *(Réplica do fuzz utilizado pelos Mutantes, desenvolvido pelo Cláudio ao seu irmão Sérgio Dias).

Se tratando do Radiohead, alguns timbres que me agradam bastante estão presentes em “Identikit”, “15 steps”, “Subterranean Homesick Alien” e “Just”. Mas como exemplo de músicas que melhor definem o timbre característico do Jonny e suas variações são algumas do “Ok Computer” como “Airbag” e “Paranoid Android”.

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Para o Radiohead Cover com certeza seria o Marshall Shredmaster.

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Partindo do pressuposto que eu tivesse um amplificador com overdrive, seria um Tape Delay.

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Gosto muito de fuçar, estou sempre fazendo testes com pedais diferentes e explorando as possibilidades deles. Cada novo projeto demanda de alguns timbres específicos. Set do Radiohead está temporariamente fechado, porém tenho vontade de adquirir e experimentar alguns da “EarthQuaker Devices”

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista.

Alguns guitarristas que me influenciaram e que admirei ao longo dos anos foram:  Stevie Ray Vaughan, Brian Setzer, Thurston Moore, Jack White, Catatau, Annie Clark e Jonny Greenwood.

 

Qual sua experiência com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Não existe uma regra para ordenar os pedais, depende muito do som que imagina em sua cabeça. Está tudo em cadeia, do guitarrista ao amplificador, cada peça que se mexe pode alterar o resultado final.

Geralmente sigo: Harmonizadores/Oitavadores> Modulações> Drives em escala de ganho> Booster> Volume> Delays > Reverb > Amplificador.

Primeira dica “Menos é mais” tente extrair o máximo com o mínimo de pedais possíveis. Só assim vc vai conseguir se debruçar e tirar todas as possibilidades destas caixinhas mágicas.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como músico e principalmente como guitarrista? 

Divido meu tempo entre o Radiohead e outros projetos, gosto de diversificar os estilos e ritmos, o que me faz sair constantemente de minha zona de conforto e me obriga a estar em constante evolução.

Quanto ao Radiohead, reservo sempre 3 dias para estudos, revisões e testes antes de uma nova sequencia de shows.

 

Alguma música apresentou um nível de técnica tão elevado que exigiu o desenvolvimento intensivo dessa técnica, ou que exigiu estudos mais aprofundados para possibilitar sua execução? Cite qual.

thumbnail_pc07.jpg”15 Steps” acabou demandando um pouco mais de energia para sua execução, não pelo nível técnico da guitarra em si. Mas por toda a complexidade envolvida para executá-la ao vivo. Enquanto faço as linhas da guitarra principal preciso sampleá-las e fazer overdubs utilizando um looper (X4 Tc). Em paralelo controlar os “beats” eletrônicos que estão pré programadas em um computador utilizando uma pedaleira MIDI. Sem contar que a música está em um compasso pouco usual para o rock (5/4).

 

Qual é o seu riff favorito? O que mais gosta de tocar.

Difícil de escolher, sempre o último que ouvi ou toquei.

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Hoje em dia temos infinitas opções de marcas e faixas de preços de pedais. Muitos pedais funcionam bem para um conjunto de guitarra e amplificador e quando se tenta tocar em outra guitarra e amp já não soam bem. Não existe uma regra, precisa testar e encontrar o som que está procurando.

Já tive e toquei em vários tipos e segmentos de pedais, posso dizer que em muitas vezes alguns genéricos chegam bem próximo das versões caras e famosas e por 1/5 do preço.

As versões genéricas desempenham muito bem o papel se está com pouco $ para investir. E aos poucos, caso ache necessário, pode ir dando um Up no Board.

Tive decepção com alguns pedais genéricos em suas versões digitais, principalmente em alguns delays e reverbs. O efeito em si era bem honesto, porém acabavam cortavam os harmônicos do som da guitarra na conversão de sinal Analógico>Digital>Analógico.

 

Conte um pouco sobre a criação da Radiohead cover, como você iniciou sua participação nela e também um pouco sobre sua trajetória e planos futuros como guitarrista, podemos esperar o Flávio em um projeto autoral no futuro?

A semente do Radiohead Cover Brasil começou há 14 anos atrás em um power trio que tinha com os atuais baterista e baixista da banda. Quando viemos morar em São Paulo encontramos nosso Thom Yorke e adicionamos mais um guitarrista em nossa formação para incialmente tocarmos Indie Rock. Em 2012 fizemos um tributo aos 15 anos do álbum “Ok Computer” e desde então nos dedicamos ao tributo e complexidades do Radiohead.

Quanto ao projeto autoral, podemos aguardar novidades para 2018 ;).

Uma vontade antiga que está tomando forma.

 

 

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Pedais por ordem de sinal:

BOSS LS2 {

A[Passagem do sinal direto]

B[ laptop> MAX> Ableton Live ]

 

FIRE LOOP TRAIL {

A-[Digitech Whammy]

B-Modulações [ Electro Harmonix Small Stone nano >

Mooer Trelicopter Tremolo > dod 404 envelope filter]}

 

BOSS LS2 {

A [ Double Barrel ( Boss SD1 + Morning Glory ) > Moore Yellow Comp > TC Electronic Flashback X4 > Boss RE-20 Space Echo]

B [ Marshall Shredmaster> Volume Boss Fv-50]

C [ Passagem do sinal direto ]}

Polytune

Tc Reverb HOF

 

Guitarra:

Fender Telecaster Plus, com mod para Kill Switch e TBX.

 

Amplificador:

MG Music “The Sound Remains the Same” ( Fender Bassman Brownface )

 

Indique outro guitarrista independente que gostaria de ver por aqui!

Gostaria muito de ver o Wagner Garcia (faz as partes e muitas ambiência do Ed o’brien no Radiohead Cover, também se transforma em David Gilmour quando toca com o Absolute  Pink Floyd Cover).

Leo Chermont, guitarrista e produtor de alguns artistas do Norte. Seria uma honra se um dia tivéssemos o Catatau (cidadão instigado entre tantos outros projetos) ou o Raffa ( Far From Alaska).

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