PEDALBOARD DO ANDRÉ PRANDO – PEDAL_UPDTR#12

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1 ano de entrevistas como Guitarra Independente.com.br

Durante o festival FEBRE 2017 estava muito interessado em ver o novo show da band “O Terno” e então aproveitei para curtir o evento e aproveitar para conhecer novas bandas dessa cena nacional que de tão vasta e boa sempre nos deixa aquela sensação de frustração quando nos deparamos com artistas de tanta qualidade mas que passavam batido nas tantas zapeações que fazemos internet à fora.

André Prando encabeça o time de 4 músicos que fizeram a minha noite mais interessante. A riqueza dos arranjos e variedade de estilos e referências que transparecem na banda são um ótimo exemplo para quem acha que existe uma fórmula para fazer música nacional de qualidade. O swing do reggae, as ambiências vintage, os timbres sintetizados, as ideias andrógenas, a mensagem fácil e a poesia a lá Belchior ou Chico Buarque… está tudo ali e tudo muito novo. Quem quer timbre, quem quer balanço, quem quer abrir a cabeça, quem quer protesto ou brisa pode chegar e ficar à vontade.

Festival FEBRE - foto de Hanna Carvalho
foto por Hanna Carvalho

O show é realmente acolhedor e a qualidade dos instrumentistas é excelente. A dicção do André garante que toda letra seja bem ouvida e o “naipe” das guitarras é muito rico de efeitos e timbres viajantes com trêmolos, delays, reverbs e dividem as frequências média/altas com sintetizador e backing vocals.

Fiquei muio feliz em completar o primeiro ano do blog com esta entrevista e agradeço imensamente à atenção que o André que, mesmo em meio à turnês e tributos pelo país atendeu ao chamado e falou sobre tudo que cerca a música, que vai muito além da guitarra. Vamos à entrevista!

 

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entrevista Flávio Miranda

 

 

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Qual é o timbre que melhor define suas preferências pessoais como guitarrista? Se quiser pode citar uma música que representa melhor esse tipo de som, de preferência sua.

Hoje, se tiver que tocar numa proposta de guitarra clean, gosto dela mais grave e encorpada. Mas nosso show hoje é um show de muitos timbres diferentes e buscando, de uma forma geral, uns timbres bem podres e que possam proporcionar boas viagens… não sei se tenho um timbre de preferência, acho que opto por ter vários… não por acaso eu uso uma M13 (Sugiro a música “Infinite sun” do Kula Shakers pra ilustrar essa busca).

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Quando comecei a tocar guitarra eu só tinha um pedal de Overdrive da Mc Nose (fabricação capixaba) e um Delay DD3… como fiz muitos shows com esses 2 guerreiros, acho que ficaria com o DD3 pra propor espaço, algum noise e tentaria encontrar meu som nervoso na mão, nos controles da guitarra e com o amp.

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Acho que optaria pela M13 da Line6… é a pedaleira e não um pedal, né? Mas foi a melhor aquisição que fiz, então se fosse pra recomeçar, começaria por ela.

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Não sou muito satisfeito com o phaser da M13, então quero um phaser analógico locão ainda. Não sou muito apegado a marcas ou modelos específicos, sempre me impressiono com fabricações de garagem, inclusive… só experimentando.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista. Pode citar guitarristas famosos também.

Acho que minha maior referência, não só pra guitarra inclusive, é o John Frusciante. Mas citaria nomes como Tim Bernardes, Julio Andrade, Gabriel Ventura, Rodolfo Simor, Jr Tostoi, Catatau. Gringos, além do Frusciante, citaria Crispian Mills e Sean Lennon.

 

Qual sua experiência com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard? Vi que no show você usa uma pedaleira com vários presets. É uma pedaleira ou é um controlador que ativa pedais de efeitos?

Foto de Rodrigo Pessotti
foto por Rodrigo Pessotti

O que você viu no show foi a M13 da Line6, é uma pedaleira e é de onde vem a maioria dos meus timbres. Serve como controlador também, mas uso só os efeitos que editei um por um. Gosto MUITO dela e recomendo! Usamos bastante na gravação do Estranho Sutil (2015). Costumo ver muita gente por aí usando-a também.

Sinceramente, eu não me considero muito experiente com pedais. Não conheço marcas ou pedais específicos, famosos ou não… sou muito de testar e dar uma de curioso com o que estão usando em shows que me fazem viajar. Se tem uma dica que tenho pra dar é que sejamos curiosos pro aprendizado.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como músico e principalmente como guitarrista? 

Talvez meu maior exercício como músico, compositor e artista seja a escuta. Ouço muita música e adoro boas dicas. Talvez como guitarrista eu tenha uma rotina meio merda. Não costumo estudar horas e não busco virtuosismo, mas busco tocar diariamente, ficar experimentando efeitos diferentes, gosto de tirar de ouvido as coisas que estou ouvindo e/ou ficar improvisando em cima. Gosto de manter a banda bem ensaiada pra fazer tudo na cabeça e pra improvisar sabendo o que estamos fazendo.

 

Qual é o seu riff favorito de suas músicas? O que mais gosta de tocar.

Meu riff favorito é o da intro de “Inverso ano luz” e acho que meu solo favorito é de “Em chamas no chão”.

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Marca encarece, né? Isso me deixa meio puto com qualquer coisa na vida… mas enfim, papo pra outro papo.  Barato ou caro, se tratando de investimento em minha arte, vale juntar os trocados. Mas tem muuuuuuuito pedal acessível que faz um trabalho foda. Gosto de não subestimar os baratim.

 

Conte um pouco sobre como acontecem as composições dentro da banda. Reparei durante o show que em algumas canções você não toca guitarra e também achei muito interessante o uso de sintetizador em várias partes do show.

Foto Flávio Char Char
foto por Flávio Char Char

As composições em si são todas minhas. Não sou sistemático na forma de compor, cada uma nasce de uma forma bem única: uma melodia que invento andando na rua, gravo no celular; uma frase que me vem em mente e eu anoto; uma temática que mexe comigo e me faz refletir sobre; etc… aí depois eu sento e componho, geralmente com o violão em mãos e depois vai se transformando.

Quando chego com a música pra apresentar pra banda ou pro produtor, geralmente eu já chego com ela bem resolvida, letra pronta, mapa feito, tema definido, etc. Sempre pode mudar, mas geralmente chego com as coisas prontas. A banda sempre coloca a própria identidade nas músicas, nesse sentido, o arranjo tem boa colaboração deles, o que é ótimo! O teclado/sintetizador é algo novo na formação e que sempre quis muito inserir… ta sendo foda! Nos dá N possibilidades de timbres e instrumentos.

Sobre ter músicas que eu não toco, é algo que acho fundamental e ainda em processo de amadurecimento. Gosto de ser performático e só cantar me dá essa liberdade, o palco me causa algo muito expurgativo. Pra além disso, algo que quero muito amadurecer é a utilização de diferentes instrumentos, trocas de instrumento dos músicos, usar outros elementos pra além da formação clássica de “banda”: guitarra, baixo, bateria, teclado… quero que meu show chegue num estado de amadurecimento de proporcionar uma experiência diferente de só música. Planos, transformações, sonhos… por hora é o show que você viu mesmo hehehe

 

Fale um pouco sobre o time de integrantes que tocaram com você durante o Festival FEBRE, há quanto tempo vocês estão juntos?

Henrique Paoli, baterista , está comigo desde o início dos primeiros shows e participou de tudo até agora, gravou os discos (gravou violões de algumas músicas, inclusive), arranjou algumas coisas comigo, tem um trabalho como produtor também. É um músico muito foda e inteligente… a gente tem uma relação maravilhosa como músicos e na vida pessoal também, somos cumpadres no papel, essas coisas… irmãozão mesmo. Não por acaso, ele toca em vários outros projetos e eu me orgulho de tê-lo comigo há tantos anos.

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foto por Nicolas Soares

O PH, guitarra/teclado, deve ter completado 2 anos conosco já e eu pago um pau foda pra ele. Como muitos músicos conhecidos em Vitória já passaram pela formação, de início as pessoas não notaram muito nele quando entrou, mas me surpreendeu desde o primeiro show que fez com a gente sem ensaiar e com tudo no dedo timbrado direitinho. Colecionador de Gianinis… Adoro os timbres dele! Aprendo bastante. Um herói diferente!

Pedro Heyerdahl, baixista, é o mais novo na formação, deve estar conosco há uns 5 meses. Conheci ele como baterista numa festa em que tocávamos juntos (cada um com sua banda) e ele pediu pra participar de um momento do nosso show (que era acústico, naquela ocasião), quando o “baterista” pegou o baixo eu fiquei de cara hahaha Dali em diante nós  fomos estreitando as relações e, na primeira oportunidade lembrei dele, que já tinha me falado como queria muito integrar um projeto autoral sério.

Meu trabalho como André Prando está em circulação desde 2011 e de lá pra cá passou muita gente na formação, essas mudanças proporcionam aprendizados maravilhosos e diferentes possibilidades. Se você procurar no youtube, vai ver várias formações… alguns são subs, outros passaram algum tempo na gig, todos contribuem de forma singular.

 

Indique outros(as) guitarrista(s) independente(s) que gostaria de ver por aqui!

Gabriela Deptulski, Tim Bernardes, Julio Andrade, Gabriel Ventura, Rodolfo Simor, Jr Tostoi, Catatau.

 

Equipamento do André Prando:

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Pedais: Wah Wah Onerr  > Super Chorus CH 700 Groovin > Overdrive McNose > M13 Line 6

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Pedal voz: Digital Delay DD3 Boss

Guitarra que mais usa: Telecaster Squier / Tagima Woodstock 61

Amplificador: McNose Route30

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Para conhecer mais sobre o André… além do meu próprio trabalho, volta e meia estou envolvido em outros projetos, participações, etc… então, obviamente, deixo o convite para acompanharem nossa página e saber das novidades.

fanpage: https://www.facebook.com/prandoandre
site: http://andreprando.com.br/
youtube: https://www.youtube.com/alpsff
Spotify: https://goo.gl/nh8trm
Deezer: https://goo.gl/GxQ9Qj
iTunes: https://goo.gl/mAHkT5

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