PEDALBOARD DO BRUNO VIEIRA – PEDAL_UPDTR#13

CABECALHO_JUNHO

Começando 2018 com uma passagem do nosso entrevistado por Sorocaba

Em 2017 tive a oportunidade de dividir o palco com a banda Devise de Minas Gerais. Mesmo já tendo passado por lá em turnê no ano anterior essa foi a primeira vez que ouvi a banda. Após acompanhar a altíssima passagem de som da banda e curtir a apresentação daquela noite conseguimos um tempo para trocar ideia sobre a cena de bandas independentes e como as bandas precisam se mobilizar e se apoiar, independente do gênero.

Dessa ocasião engatei a primeira entrevista da banda com o também vocalista Luis Couto (edição de setembro/2017) e logo voltei a contactar o Bruno “Mike” para fazermos também uma com ele. Me agradou muito ver uma banda independente e acessível como a Devise utilizando pedalboards de primeira linha com efeitos bastante peculiares como Digitech Whammy e Fuzz Face, além de clássicos como tubescreamers e big muff.

Giuliano de LAnda
foto por Giuliano de Landa

Fiquei muito contente ao receber uma mensagem do Luis neste começo de ano sobre a vinda da banda para São Paulo com datas marcadas no Estúdio Family Mob e Secretinho e mais uma data em haver que conseguimos puxar para Sorocaba.

Durante todo o show e passagem de som fizemos o máximo para equilibrar as guitarras e domar os timbres para que tudo ficasse audível, uma missão bastante desafiadora para quem não cansa de pedir aquele “pelinho” a mais de volume no amplis rs.

 

 

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entrevista Bruno M. Vieira “Mike”

 

 

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Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

É uma escolha difícil! rs.

Acredito que dependeria muito do amplificador, mas de maneira geral eu levaria o ProCo RAT. Gosto dele porque se trata de um pedal de overdrive/distorção bastante versátil, vai de uma saturação mais leve até uma distorção caótica com um bom range de equalização e um controle de volume bastante eficiente. Somando essa criatura a um amplificador honesto já dá pra garantir um show com uns barulhos bem legais!

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Acredito que o overdrive é o efeito que garante momentos de “guitar hero” pra qualquer iniciante que tem seus primeiros contatos com uma guitarra, trancado em seu quarto, entre os estudos no instrumento e as primeiras notas de “Smoke On The Water”. Por isso, acho legal o Boss SD-1, um dos pedais de overdrive mais legais que já vi/ouvi/usei e com um preço extremamente acessível (importante levar isso em consideração já que para uma grande parte dos guitarristas o início é bem complicado, financeiramente falando!)

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Alguns! rs Atualmente tenho pensado seriamente em trocar meu pedal de delay titular, um Ibanez Echo Shifter, por um que comprei há pouco tempo, um Strymon Timeline. Tenho usado o Strymon somente pra gravar e em jams solitárias, mas adoro a qualidade e a textura dos delays que ele possui, além de ser um pedal de imensas possibilidades.

Tenho pensado em colocar nos titulares também o Xotic BB preamp, um pedal que tenho namorado as texturas de ganho e overdrive há algum tempo.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista. Pode citar também guitarristas de qualquer tipo que influenciaram ou influenciam seu timbre até hoje.

Gosto muito dos sons de guitarras de algumas bandas independentes como Ego Kill Talent, Vaga Luz, Oceania, Transmissor, OTSD, Young Lights, Astronauta Marinho, Mahmed, Silibrina, Mudhill, Boogarins… Enfim, a lista é longa!rs

Também admiro muito alguns guitarristas de bandas independentes nacionais como Rafael Brasil do Far From Alaska, Tim Bernardes d’O Terno, Giuliano de Landa do Fundamental Zero/Landa. São alguns nomes.

Outros nomes que exerceram grande influência sobre o meu timbre foram Jimmy Page, Josh Homme, Nick Valensi, Johnny Marr, Andy Summers, Eric Johnson, Jimi Hendrix, Nile Rodgers, BB King, David Gilmour, Steve Morse, Scott Holiday e Frank Solari.

 

Qual sua experiência com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

gustavo borges
foto por Gustavo Borges

Já vivo pesquisando e adquirindo pedais há algum tempo, mas decidi montar um pedalboard e colocá-lo na estrada há dois anos e meio aproximadamente, anteriormente eu utilizava pedaleiras digitais pela praticidade e acessibilidade.

Escolho meus pedais ouvindo-os. Vejo muitos reviews em sites especializados, canais do YouTube, ou testando quando possível. Procuro me assegurar ao máximo sobre as possibilidades e o range de texturas e tonalidades que o efeito proporciona, se atende o que eu preciso e gosto.

Ordeno meus pedais pensando em três aspectos: lógica, qualidade do processamento do sinal e usabilidade ao vivo. Sempre observo o sinal e as modificações que ele sofrerá ao longo da cadeia de pedais somados ou isolados para saber se faz sentido, se eu vou chegar no timbre que eu quero e se não vou perder qualidade sonora. Em outro momento observo a usabilidade dessa cadeia de pedais e “quem fica onde” de acordo com os pedais que aciono mais ao vivo e necessitam de melhor acesso no pedalboard, também os que aciono em momentos-chave ou com menor frequência. Dessa maneira consigo conceber com melhor exatidão o pedalboard.

Minha dica é que antes de passar a mão no cartão de crédito e sair comprando todos os pedais do mundo você deve pensar: “Que tipo de guitarrista eu sou/quero ser; Que tipo de som eu gosto e me traduz enquanto músico”. Depois faça a seguinte pergunta: “Isso está de acordo com a proposta da minha banda?”. A partir disso, você deve pesquisar incansavelmente! Leia, assista, ouça, entenda e aprenda. O Google é o ponto de partida do seu timbre.

 

Como você trabalha seu set considerando que a Devise possui dois guitarristas? Você teve que fazer algum setup diferente para que o som das guitarras casasse? Cite também como isso influencia na hora de compor suas partes de guitarra.

Na Devise eu assumo a responsabilidade de muitos riffs e solos. Portanto, meu set é bastante focado em “colorir” o som. Quando o Luís começou a montar o pedalboard dele, acabei ajudando na escolha de alguns componentes, fatalmente alguns pedais que ele utiliza também estão presentes no meu board. Como estamos sempre trocando essas figurinhas sofremos influências em reciprocidade. Na “fundação” do meu pedalboard estão o MXR Dyna Comp, Ibanez TS9 e o ProCo RAT, pois são pedais que fomentam a base de timbres que gosto e, de certa forma, possuem um pouco da identidade sonora da Devise.
960106_572869026077551_284531049_nTambém utilizo alguns pedais de modulação como Tremolo, Phaser, Chorus, Rotary Speaker Simulator/Rotovibe e Pitch Shifter/Whammy, pedais que ajudam na função de colorir e impulsionar algumas viagens sônicas. Recentemente comecei a utilizar pedais de Fuzz, outro efeito pelo qual sou apaixonado. Tenho alguns pedais de Fuzz que costumo experimentar uma vez ou outra, mas atualmente tenho utilizado o Fuzz Face Jimi Hendrix JHF1 e o ZVEX Mastotron, mas vivo brincando com outros pedais em casa e sondando novos pedais na internet!
A influência dos pedais durante a composição é grande. Apesar de gostar bastante de algumas coisas mais cruas, procuro sempre somar alguns riffs ou bases à textura que certos efeitos proporcionam, você gera uma somatória de melodia, feeling e timbre. Por exemplo, em riffs menos complexos e mais “retos”, dependendo do teor da música, você pode abordá-lo com uma pegada mais reta, até meio desconcertada e somar isso a um Fuzz e um Phaser. Isso gera um resultado meio caótico e descontrolado, mas existe beleza nesse caos.

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como músico e principalmente como guitarrista? Se quiser pode falar também sobre sua trajetória como guitarrista.

Levo uma rotina mais “silenciosa” dentro de um escritório durante a semana e durante os finais de semana alimento a alma e os ouvidos com a música. Portanto, me divido bastante para viver essas duas vidas profissionais bastante distintas e isso me toma bastante tempo. No entanto, procuro sempre que possível pegar uma guitarra e revirar algum estudo, mas não tenho uma rotina muito sólida. Em algumas épocas até me aventuro por dois ou três meses em estudos de country ou gypsy jazz, mas acabo quebrando isso por falta de tempo. De maneira geral tenho procurado me atualizar e evoluir em técnica, percepção e teoria, estou sempre caçando algum tempo para atingir meus objetivos enquanto guitarrista.
Já vacilei muito em preparações para shows nessa história de “deixar para última hora”!rs A Devise tomou proporções mais sérias, e isso exige uma dedicação cada vez maior. Nessa rotina dupla o tempo é um grande inimigo às vezes, mas procuro me preparar sempre para os shows da melhor maneira possível.
A guitarra entrou na minha vida por influência de guitarristas como Kurt Cobain, Jimmy Page, Hendrix, Eric Johnson, George Harrison, John Frusciante, Slash, Randy Rhoads, John Petrucci, Van Halen, Steve Vai e Joe Satriani. Essa lista engordou ao longo dos anos, mas estes foram meus influenciadores iniciais no instrumento. Através dessas figuras eu vi um instrumento poderoso, cheio de possibilidades e que me daria muitas alegrias. Não posso deixar de mencionar obviamente meu pai que me motivou e me patrocinou no início disso tudo. Apesar de não ser músico, ele me proporcionou grande incentivo quando comecei no instrumento até que eu pudesse caminhar sozinho nessa causa que angariei há alguns anos.
Comecei a tocar guitarra com 15 anos de idade, considero isso um pouco tarde, mas a medida que fui evoluindo, minha empolgação com o instrumento e dedicação foram aumentando. De lá pra cá muita coisa rolou, muitas gigs, histórias e, principalmente, muito conhecimento. Hoje não consigo ficar sem por as mãos numa guitarra, inclusive começo a ficar inquieto quando passo alguns dias longe do instrumento! rs

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Recentemente presenciamos a ascensão de produtos “handmade” não só na música, mas em diversas áreas de mercado. Consequentemente a oferta ficou mais dividida e novas marcas passaram a ocupar maior espaço na preferência do público, obstante a isso observamos uma grande melhoria na qualidade de produtos menos conhecidos, de marcas menores.
Pessoalmente, acredito sim que marcas maiores e mais famosas justificam uma melhor qualidade em 70% dos casos, consequentemente um melhor custo-benefício. Não podemos negar todo o know-how e a qualidade construídos ao longo da trajetória dessa marca. Mas pedais são como peças de roupa, elas te deixam confortável, compõem e traduzem um pouco do que você deseja passar para outras pessoas. Assim como as roupas, não é possível estar satisfeito com algo sem antes experimentar, entender seu propósito. De uma forma ou de outra você precisa “vestir” este pedal para saber se isso cai bem no que você deseja transmitir, e esta “roupa” pode ser de uma marca famosa ou desconhecida, barata ou cara, o importante aqui é que ela dure e te agrade!

 

Durante o show que vocês fizeram em Sorocaba pude ver que você usa um set de pedais bem extenso assim como o Luís. Como você navega por tantos efeitos durante o show e quais os efeitos que você mais usa? Você já teve algum problema com a perda de sinal devido ao grande número de efeitos?

Como utilizei por um bom tempo pedaleiras digitais da Line6*, sempre tive uma carta enorme de efeitos e com boa qualidade de simulação. Fiquei “mal acostumado” a ter tantas possibilidades! rs Quando montei meu pedalboard com pedais analógicos/digitais precisei resgatar um pouco dessa gama de possibilidades ali, a consequência disso é o peso e a complexidade da cadeia de pedais, mas o som é consideravelmente melhor.
Para amenizar a quantidade de acionamentos e ficar “sapateando” na frente do pedalboard utilizo o Looper True Bypass que é simplesmente um circuito com chaves que separa minha cadeia de pedais, facilita a ativação e reduz consideravelmente a perda de sinal. Assim evito de usar buffers no início da cadeia, já que eles costumam prejudicar um pouco a dinâmica do Fuzz.

A navegação é muito simples: Antes de cada música, aciono os pedais que estarão presentes nela em algum momento, durante a música só piso no looper para alternar entre os efeitos, salvo raras exceções em que utilizo algum recurso do pedal como Fast/Slow do Rotary ou o Tap do tramolo ou Delay. Nestes casos preciso pisar no pedal durante a música.

Já tive alguns problemas com cabos, mas foram por falha minha durante a montagem deles. Utilizo cabos solderless da George L’s e Evidence audio, são muito práticos e de altíssima qualidade, o que ajuda muito na manutenção do sinal. Em contrapartida, se você não montar eles direito terá alguns problemas ao vivo! rs Felizmente tenho superado esse problema!

Minha dica é tentar ser o mais organizado possível com a estrutura do seu pedalboard. Ele precisa de lógica, organização, boa alimentação e cabos de boa qualidade. É importante que os cabos sejam devidamente distribuídos de maneira a organizar o caminho entre os pedais e facilitar a manutenção caso algum problema aconteça. Uma boa dica é limpar sempre que possível o pedalboard, desmontá-lo e ajustar tudo. Gigs costumam exigir muito dos equipamentos, volta e meia rolam umas gotas de cerveja e poeira em cima dos efeitos, isso acumulando com o tempo não é legal!

 

Tanto você quanto o Luis integram outras bandas em Minas Gerais, como você administra seu timbre com diferentes formações e estilos musicais?

Apesar de em outros projetos eu tentar buscar outros comportamentos sonoros acabo sendo o que me formei enquanto músico, minhas características sonoras se revelam de uma maneira ou de outra. Por isso tento ser o mais versátil possível, entender dos efeitos e amplificadores para que eu consiga me posicionar da melhor maneira possível em situações diferentes. Por isso, quando tenho algum tempo para estudar, procuro ampliar esse meu vocabulário, assim posso andar por esses diferentes meios, mas no fundo alguns aspectos da minha personalidade estão ali. Acho isso muito importante e natural. Tento administrar isso utilizando o máximo do equipamento que tenho, variando entre guitarras e efeitos.

 

Reparei que você usa um looper e também alguns pedais sobressalentes. Como você combina o uso do looper com esses outros pedais.

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foto por Gustavo Borges

Alguns pedais ficam fora do looper porque eles antecedem a minha cadeia geral, onde estão as Saturações e Modulações. Deixo o o Fuzz, o Whammy e o Cry Baby fora desse looper porque na lógica que encontrei para o meu sinal, eles se comportam melhor antes de todo o resto dos pedais e, nessa logística, ficam melhor fora do looper. Estes eu tenho que acionar diretamente, mas também são pedais de interação, como no caso do Wah e do Whammy.

 

Poderia citar um pouco como você faz uso do Fuzz Face que fica ali no começo da cadeia de pedais? Esse pedal é bastante característico e vários músicos utilizam de formas e em posições diferentes.

Gosto do Fuzz no início da cadeia porque os transistores de silício do Fuzz Face são muito reativos aos controles de ganho da guitarra, você consegue dosar seu timbre só girando os knobs no próprio instrumento. Outro motivo é porque gosto mais do comportamento do Fuzz antes do Whammy e do Wah, acho que ali ele não perde dinâmica e absorve diretamente tudo o que a guitarra entrega no som.

 

Pedais do Bruno:

IMG_20170204_163846620.jpgJim Dunlop Fuzz Face JHF1 (ou ZVEX Mastotron)

Digitech Whammy V

Jim Dunlop Cry Baby GCB95

Pedal Looper Switcher Loop Master

TC Electronic Polytune Mini 2

MXR Dyna Comp

Ibanez TS9

ProCo RAT

Xotic EP Booster

Stomp Wave Tap Tremolo

Dedalo MOD Phaser

BBE Mind Bender Chorus/Vibrato

Boss RT-20 Rotary Vibe Simulator

Ibanez Echo Shifter Echo/Delay

TC Electronic HOF Reverb

 

 

Guitarra preferida:

Gibson Les Paul Traditional T 2016

 

Amplificador:

Fender Hot Rod Deluxe 40w

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