PEDALBOARD DO DIOGO BROCHMANN (DINGO BELLS) – PEDAL_UPDTR#15

cabecalho_site.png

Entrevista do Diogo Brochmann, da banda Dingo Bells

(ou: “O dia em que abri o show para a banda Dingo Bells tocando baixo pela banda Mundo Inverso.”)

Nos últimos 2 anos a produção musical tem estado mais presente no meu dia a dia e no final do ano passado recebi o pedido do colega Rafael Negrini (Mundo Inverso) para rever alguns vocais que ele havia gravado. A Mundo Inverso é a típica banda de um homem só que surge no quarto escuro e quando menos se espera já está com EP rodado, Clipe e repercussão em vários blogs.

Lembro que minha resposta na época foi algo do tipo: “…você precisa regravar, mas tem que regravar comigo!”. O fato é que eu já conhecia o projeto e em audições anteriores sempre tive a vontade de poder dirigir os vocais, e não é que no final rolou!

Então lá estávamos nós vendo aquilo tudo acontecer observando a repercussão quando apareceu o tão esperado show de lançamento. A banda já havia se apresentado em alguns concursos de banda, mas nenhuma das vezes com baixista, e aquele show pedia um reforço, ainda mais quando descobri que seria junto com as bandas Lau e Eu e Dingo Bells, banda essa que eu tinha conhecido através do mesmo Rafael e que já não sai mais das minhas playlists.

 

Dinossauros é uma das músicas mais famosas da banda, com mais de 2 milhões de audições no Spotify! É uma das músicas da banda em que Diogo assume os vocais principais.

No grande dia tive a oportunidade de assistir boa parte da passagem de som da banda e notei um cuidado extremo com as alturas, frequências e timbres do quase 4 vocais, algo realmente inédito. A sensação que tive é de que a banda focou praticamente toda a passagem de som nas vozes, deixando apenas alguns minutos para timbrar os demais instrumentos, que também ficaram excelentes.

O show da Dingo Bells tem uma energia muito interessante. A música nacional está realmente em boas mãos. Junte-se boas composições, instrumentistas conectados com o que estão fazendo, arranjos pouco convencionais e muita energia no palco e você terá uma boa banda, mas se você conseguir somar a isso 4 cantores em plena forma ai você chegará perto do que é o som desses caras. É o tipo de show que você tem que já planejar em que integrante você vai focar a cada nova música que se inicia para não correr o risco de deixar nada brilhante passar despercebido, seja uma linha vocal, um riff hipnótico de baixo ou uma levada dançante do teclado, é realmente um desafio 🙂

 

Mais supresa do que ter o baterista como lead vocal da banda, a Dingo Bells é um time onde ninguém está fixo em uma posição. Não é uma coisa frenética ou até mesmo muito calculada para ser uma coreografia de palco, mas é um movimento natural que coloca todos os integrantes onde mais faz sentido a cada música que passa. Nosso entrevistado do mês, além de excelente guitarrista, também é craque na teclas, violões e vocais.

Fique agora com nosso entrevistado de março/2019!

 

avatar

 

 

entrevista Diogo Brochmann

 

 

Resultado de imagem para icon website Resultado de imagem para facebook icon Resultado de imagem para soundcloud icon Resultado de imagem para icon website  

 

Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows?

Então, não sei se conseguiria me classificar como guitarrista, pois sempre me interessei por outros instrumentos e ultimamente por gravação e produção musical. Tem um aspecto muito bacana disso que vejo como uma mistura de características pessoais – a busca de uma área de atuação mais ampla – com um reflexo do mercado independente de música, que te coloca em diversas posições dentro de um mesmo projeto: produtor, compositor, financeiro da banda, etc… Tudo isso pra dizer que acabo investindo meu tempo em outras frentes além da guitarra, mas sim, tento me organizar por pequenos projetos – um curso pra fazer, um livro pra ler, gosto bastante de usar o tempo livre na estrada pra isso, em vans, avião… Não considero que esteja “em dia” com a guitarra, espero que ela me perdoe!

 

Durante o show vi que você também toca partes importantes no sintetizador, como você divide seu tempo de estudo/dedicação entre a guitarra e os teclados?

São fases. Passei uns anos estudando piano, tocando guitarra só nos shows, depois voltei pra guitarra, acho que já consegui assumir que gosto de funcionar assim!

18.04.20 - Dingo Bells @ Ibirapuera 53
em algumas músicas o Diogo assume as teclas da Dingo Bells, função que divide também com o Fabricio Gambogi (o outro guitarrista da banda)

 

Em um dos clipes do começo da banda (referência abaixo) você aparece tocando baixo, pelas matérias que li, vocês eram um trio inicialmente. Você já tocava guitarra antes? Fale um pouco sobre sua trajetória com o instrumento.

Sempre toquei guitarra, sou um péssimo baixista! Foi uma brincadeira, a gente sempre teve esse lance de trocar de instrumento nas gravações e shows, mas nunca me dediquei de fato ao baixo!

 

O fato de ter outro guitarrista na banda influenciou a forma como você define seus timbres ou exige alguma adaptação para que funcione legal nos shows?

Nossa, totalmente! Foi maravilhosa a entrada do Fabrício pra banda. Além dele ser um músico muito completo, passamos a dividir a tarefa de compor as linhas de guitarra e teclado. Por serem instrumentos que permitem overdub, ficou super interessante ter duas cabeças pensando esses arranjos.

 

Por ser uma banda com muitos backing vocals acontecendo acredito que instrumentos de cordas e teclados precisem de uma atenção especial para não “brigar” com o arranjo de vozes na mesma frequência, como isso funciona na Dingo Bells?

Ah, dá pra dizer que basicamente funciona, eu espero! Digo, não tem nenhum viés muito técnico nessas decisões – se a gente está curtindo, tá valendo! Claro que com o tempo a gente vai pegando algumas “manhas”…

 

Para ser vocalista e participar como backing vocals em praticamente todas as músicas de uma banda, deve exigir uma dedicação a mais de todos os integrantes da Dingo Bells. Que dica você daria para músicos iniciantes que estão com dificuldade para cantar e tocar ao mesmo tempo? Você tem alguma dica de treino para aperfeiçoar essa prática conjunta?

Poutz, a única dica que tenho é pratiquem – e devagar! Aos poucos as coisas vão se encaixando. Eu diria que a maior dificuldade pra mim é soar afinado enquanto se toca o instrumento, então é legal que o canto esteja bem seguro antes de tentar unir as duas coisas – voz e instrumento. De resto, vale a pena se gravar, pode ser com o celular mesmo, pra ter certeza que estamos com tudo no lugar!

 

Qual sua experiência com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Eu sou viciado em distorção! Faz uns anos já que compro kits com circuitos mais lado B e soldo eles em casa, acho muito divertido! Em termos de ordem de pedais, não acho que tenha muita barbada pra dar não viu! A última coisa que tentei foi colocar um compressor como primeiro pedal da cadeia, mas não sei se recomendo, estamos nos entendendo ainda! Ah, uma dica boa: para preservar os pedais durante o transporte, eu amarro eles em cima de uma tábua fina de MDF cheia de furos, assim eles não mexem. Tem um nome isso, se compra em ferragens, mas agora não lembro! Na foto dá pra ver melhor! Nela também dá pra ver dois kits que montei: o Univox Superfuzz e o Harmonic Percolator

WhatsApp Image 2019-01-31 at 10.32.02

 

“Curiosidade: aproveitando a matéria pedi para o Diogo que indicasse alguns sites onde é possível encontrar esses kits que ele comentou acima, através dos quais é possível montar seu próprio pedal com um custo benefício melhor e o que é mais divertido “fazendo você mesmo”, os links estão no final da matéria.”

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria? (tipo / marca) Descreva o motivo.

Afinador Boss – mesmo! Como toco em uma banda, é interessante que estejamos todos com a mesma referência! A não ser que se combine de não estar!

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Acho que a questão anterior responde! Mas bom, pela diversão, um Univox Superfuzz, é meu fuzz preferido até agora.

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Sim, chegou hoje e estou louco pra testar! Eu nunca usei um tubescreamer no meu set, nunca tive um. Bom, é um pedal icônico e recentemente a JHS lançou uma homenagem a ele – é um circuito que contém clones das nove versões do pedal, se chama Bonsai. Provavelmente vai entrar pro meu set!

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra ou que você admira como guitarrista ou como artista.

Eu gosto muito de distorção, minha referências geralmente ficam em torno disso. Sou muito fã dos timbres de bandas como Smashing Pumpkins, My Bloody Valentine, Radiohead, Queens of the Stone Age, Kyuss. O Grace, do Jeff Buckley tem lindos timbres limpos de guitarra – é uma referência quando não quero usar distorção. Steely Dan e Chic também moram no meu coração.

18.04.20 - Dingo Bells @ Ibirapuera 171

 

Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Olha, eu confesso que às vezes sou refém da grande oferta de pedais que existe hoje à venda. Gosto tanto de botões que me voltei pros sintetizadores por um tempo. Por outro lado, os kits que comentei antes são uma boa solução em termos financeiros também! Custam um terço do pedal original, às vezes menos e te dão acesso a uns circuitos mais difíceis de achar.

 

Quais os efeitos que você mais usa e como você navega pelas opções durante o show? Você já teve algum problema com a perda de sinal devido ao grande número de efeitos? 

Poutz, não sou muito caprichoso quanto a essa questão de perda de sinal. Coloco o que eu quero na minha cadeia. A gente toca em tanto lugar com condições mais simples que não fico muito preocupado com condições ideias de sinal. Em estúdio sim – desmonto a pedaleira e utilizo somente o efeito correspondente à parte que quero gravar! Os meus efeitos mais usados são bem básicos: distorção, fuzz, reverb, tremolo.

 

Geralmente você leva seus próprios amplificadores ou trabalha com o que as casas oferecem? Você tem alguma dica para conseguir o timbre desejado em amplificadores que nem sempre são parecidos com o que você usa?

A gente utiliza os amplificadores da casa na maioria das vezes. Eu tenho um Blues Driver da Boss que dependendo do estado do amplificador da casa acaba ficando ligado o show inteiro! Ah, eu sempre levo um microfone próprio pra estrada – o Sennheiser e906 – assim garanto uma microfonação bacana pra guitarra e nem preciso me preocupar em levar pedestal, pois esse mic funciona suspenso na frente do falante, por cima do cabeçote. Vale muito dar uma sacada nesse recurso!

 

Para o álbum “Todo mundo vai mudar” como foi o seu approach com a guitarra em relação ao álbum anterior? Cite o que mudou entre um álbum e outro na sua forma de tocar ou colocar a guitarra dentro das músicas.

Acho que o que mudou foi o processo de arranjo das músicas e a entrada do Fabricio. No primeiro disco baixo e bateria foram gravados primeiro e os arranjos de guitarra compostos em estúdio, na sua maioria! Houve uma pré-produção da canção, mas não tanto de arranjos – muito em função de na época haver somente um guitarrista. Com a entrada do Fabricio e uma pré-produção que incorporou a criação de quase todos os arranjos antes da gravação sinto que a gente acabou se influenciando mutuamente, muito mais do que no disco anterior. Chegamos pra gravação com os arranjos muito mais elaborados, foi um grande ponto positivo desse segundo disco, eu acho.

 

Quais são os planos para 2019? (lançamentos, turnês, shows, etc.). – fique à vontade para citar o que preferir, tanto projetos pessoais como projetos da banda.

Com a Dingo Bells estamos focados em fazer muitos shows, alguns lançamentos, ainda em fase de planejamento! E paralelamente ao trabalho com a banda tenho me envolvido com projetos de produção musical – atualmente com um artista aqui de Porto Alegre chamado Gustavo Foppa.

 

Pedais:

Boss Compressor (CS-3)

Boss BBlues Driver (BD-2) com mod do Keeley

Afinador Boss

Harmonic Percolator

Univox Superfuzz

Digitech Whammy Ricochet

DOD Vibrothang Vibrato

Dr. Scientist Bitquest

Digitech RV-7

MXR Phase 90 com um mod no R28

 

Guitarra que mais usa: Epiphone Casino

 

Amplificador: Vox AC15

 

 

Aqui seguem os links para os sites em que o Diogo geralmente pesquisa os kits para montagem de pedais:

General Guitar GadgetsBuild Your Own Clone | Mammoth Eletronics (vendem componentes avulsos também) | Fuzz Dogs Pedal Parts.

One thought on “PEDALBOARD DO DIOGO BROCHMANN (DINGO BELLS) – PEDAL_UPDTR#15

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s