PEDALBOARD DO GABRIEL BRAGA (LITTLE ROOM) – PEDAL_UPDTR#17

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Mais um amigo, mais um viciado em pedais, Oba!

Havia algum tempo que eu já seguia a banda Little Room no Instagram e foi depois de assistir ao clipe de “Tangled” (vídeo abaixo) que fiz meu primeiro approach. O papo evoluiu e ali na frente já via pintar minha primeira ida ao Rio de Janeiro para dividir os palcos com eles, viva!

Desse primeiro contato acabamos fazendo 3 shows juntos e recebendo a banda em minha cidade. A conexão com outras bandas sempre rola, mas afinidade mesmo as vezes é uma questão de sorte, a gente nunca sabe.

A cada show a gente vai sacando a outra pessoa e vendo se as percepções estão batendo. No caso do Gabriel qualquer papo de equipamento sempre fluía logo de cara, a gente fica naquela de não querer demonstrar mas no fundo todo guitarrista tem aquele lado nerd de ficar confabulando fórmulas para dominar o timbre perfeito ou encontrar a combinação certa e nunca, nunca mesmo, vai ficar satisfeito.

Parece até coisa de gente exagerada mas do meu ponto de vista ainda acredito que são dessas pequenas encanações que nascem os grandes artistas, naqueles detalhes que ninguém repara ou prefere não admitir, é um cabo aqui, um pedal ali, 10% a mais de drive, 15% a menos de volume, tudo multiplicado pela quantidade de pedais, amplis e guitarras que a gente conseguir usar!

Nesta época em que escrevo esta entrevista estou às voltas com a busca de uma guitarra para substituir uma telecaster com a qual ainda não me encontrei e lá se vão não sei quantas linhas de mensagens e dicas deste grande amigo.

Da última vez que falamos ele me contou sobre sua mais nova descoberta, um pedal chamado OD-20 que emula desde tubscreamers até superoverdrives e por aí vai, mas isso é assunto para um outro post talvez com uma cerveja ou um whatsapp esperto 🙂

O importante é que aqui toda guitarrice é liberada!

 

Fiquem agora com o entrevistado do mês:

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entrevista Gabriel Braga

 

 

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Você possui uma rotina de estudos com a guitarra ou apenas uma rotina de preparação para shows? Poderia contar um pouco sobre como você se organiza para se manter em dia como músico e principalmente como guitarrista?

Antigamente eu era vidrado nos exercícios de aquecimento e desenvolvimento, tanto de velocidade quanto precisão abertura de dedos, palhetada, etc. O problema, na minha trajetória, foi que esses exercícios me escravizaram. Eu não conseguia mante-los por muito tempo por achar chato e sentia que meu desenvolvimento não estava como eu queria. Então cheguei a conclusão de que, fazendo algo que gosto tanto, que é tocar guitarra, não preciso fazer coisas que não me agradem, afinal eu controlo o que estou fazendo ali, não sou obrigado a nada. Dessa maneira, comecei a tocar somente as coisas que eu queria (músicas minhas, músicas da Little Room e covers) e desenvolver exercícios em cima dos desenhos, melodias e harmonias dessas músicas, de maneira que fosse agradável e me fidelizasse. Antes eu contava o tempo e o número de exercícios, agora já não vejo mais o tempo passar. Mas fora isso, rs, tento tocar sempre que possível, me manter conectado e íntimo da minha guitarra, dos meus equipamentos, das músicas que gosto e das novidades. Infelizmente, não é possível com a frequência que gostaria, mas diria que pelo menos 2 vezes na semana (no pior dos cenários) eu passo um tempo com a música.

 

O fato de ter outro guitarrista na banda influenciou a forma como você define seus timbres ou exige alguma adaptação para que funcione legal nos shows?

Com certeza. Ter outro guitarrista na banda faz com que o espaço das cordas seja mais restrito ou mais amplo. É como se você chegasse no ônibus e tivesse somente um banco pra você sentar, não importa o tamanho do banco, se você quiser se sentar, você terá que caber ou se fazer caber ali. O banco pode ser grande ou pequeno, isso depende da situação. Enquanto guitarrista solo, o “banco” pode ser maior. Enquanto único guitarrista pode ser maior ou menor, a depender da música que está sendo executada.

No meu caso, enquanto guitarrista base na Little Room, o “banco” é um pouco menor para improvisos e para diferentes timbres, afinal eu preciso ditar o ritmo e a dinâmica da banda em conjunto com a Cynthia, nossa baterista, e, ainda, “preparar a cama” (ajustar os timbres) para a Ana (guit. Solo) deitar e rolar, e tudo isso tem que ser cravado.

Conclusão: Nem sempre o timbre que eu gostaria, a linha de guitarra que eu gostaria, vão servir. Há a necessidade de um senso coletivo e de bem maior para que tudo esteja no seu lugar e casando no final.

 

Qual sua experiência com pedais e como você escolhe e ordena seus pedais? Tem alguma dica para quem está começando a montar um pedalboard?

Meu primeiro pedal de guitarra foi um Meteoro Revolution Tube Drive. Distorção e drive valvulado. Antes disso, eu usava somente efeitos de amplificador. Usei muito, fucei muito, e mexi muito sempre tentando tirar leite de pedra dessas coisas. E digo isso como forma de dizer que tentava agradar a mim mesmo com o que tinha. Mas não ia além.

Em 2014, quando comecei a tocar com uma banda cover de Resende/RJ, usava o rig da minha irmã, com um Boss SD-1, um Giga Delay e esse meteoro. E escutando as músicas pra tirar, eu sentia a necessidade de mais e os efeitos do amplificador somente não eram tão fáceis de controlar de forma independente.

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Gabriel e sua irmã Ana Júlia à frente da banda Little Room.

Tocando com a Little Room, em 2017, eu comprei o Dispatch Master da Earthquaker Devices, por recomendação da minha irmã. Um pedal de delay e reverb incrível. Esse pedal, junto com os conselhos da minha irmã, despertaram meu interesse por outros, considerando o que ele era capaz de fazer, e assim me tornei um viciado.

Hoje, eu escolho meus pedais de duas maneiras: (i) de acordo com a necessidade que a Little Room me apresenta e (ii) de acordo com a minha vontade e daquilo que acho que vou ter chance de usar ou no meu projeto solo ou num futuro próximo com a LR.

A ordem dos meus pedais não é nenhuma grande novidade, no entanto eu tenho uma carta na manga que é o diferencial do meu set. O primeiro pedal da minha cadeia, vindo logo após a guitarra, é o Double Drive, da Tech 21, ele transforma o som de qualquer amp em um som de valvulado, é incrível. No mais, eu uso um equalizador e booster, da Walrus (o Defcon 4), um drive transparente, também da Walrus (Messner), o meu principal pedal de drive, que é da Boss (SD-1 Waza Craft), aí coloco meu afinador, Polytune Mini (que vem nessa posição para me avisar de eventuais problemas de sinal), mais um drive, esse da Pink Snow (King of Chill) que uso como booster, um pedal de modulação, geralmente de Chorus, flanger, etc (atualmente tenho o The Chemist da Matthews Effects), um pedal de reverb, que atualmente é o Fathom da Walrus, e por fim um delay, que atualmente uso o Reel Echo da Danelectro.

 

Se pudesse usar somente um pedal em um show, que pedal seria?

Se fosse um pedal que não tenho, seria o Bonsai, da JHS. Ele simula todos os TS’s da Ibanez que já exisitiram. É fantástico. Se tivesse que escolhe dentre os pedais que tenho, escolheria o Double Drive. Ambas as escolhas refletem uma coisa que valorizo muito, que é a textura do meu som clean e dele levemente sujo. Não consigo viver sem.

 

Se você estivesse começando hoje qual seria o primeiro pedal que você iria adquirir?

Ibanez TS-9.

 

Tem algum pedal que você sente falta em seu set ou que você está pensando em adicionar em seu pedalboard?

Bonsai da JHS e Procession da Old Blood Noise.

 

Cite referências de guitarristas ou artistas de bandas independentes que influenciam a escolha do seu timbre de guitarra, ou que você admira como guitarrista ou como artista.

A primeira banda que me inspirou a tirar timbres foi o Paramore. Sempre fui fascinado na maneira por meio da qual Josh Farro e Taylor York “casavam” os timbres de suas guitarras e violões e como soavam bem individualmente. Era fascinante pra mim. Até hoje, me inspiro muito no Taylor, que continua na banda.

Além do Paramore, me inspiro bastante no Strokes, no Jimmy Eat World e em outras bandas do gênero. Como guitarrista, gosto muito do Mateus Asato. Me amarro nas linhas de guitarra dele.

 

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Gabriel com a banda Little Room durante entrevista na Rádio Inconfidência em Minas Gerais.Qual é seu ponto de vista com relação a marcas e custo-benefício de pedais?

Atualmente, com impostos e taxas diversas no Brasil, é muito difícil achar um equilíbrio entre custo e benefício. Muitas coisas boas que são feitas lá fora, chegam aqui com preço muito elevado. E muitas coisas feitas aqui, que obtém peças lá de fora, estão na mesma situação. Por isso acredito que o melhor caminho é comprar equipamentos usados, assim conseguimos atingir um bom custo benefício.

No entanto, se formos comparar o preço que pagamos nos pedais fabricados nos EUA, por exemplo, no próprio país, e o preço que pagamos aqui no Brasil pelos pedais fabricados aqui ou na China, o custo benefício pago lá fora pelos pedais de lá é absurdamente melhor.

 

Quais os efeitos que você mais usa e como você navega pelas opções durante o show? Você já teve algum problema com a perda de sinal devido ao grande número de efeitos? (cite também se tiver alguma dica para outros guitarristas)

Os efeitos que mais uso, definitivamente, são os drives. Durante o show transito muito entre os diferentes drives de acordo com a música. O Reverb está sempre ligado. O delay, muito esporádico. Os outros também.

Quando tive um board bem maior, tive grandes problemas com perda de sinal.

A dica que dou é: organize seus pedais na ordem de necessidade, aqueles que você usa mais, deixe mais próximo do seu pé e tente utilizar pedais com buffer no inicio, no meio e no fim da cadeia, para não perder tanto sinal. Ah, os cabos também são muito importantes. Cabos de qualidade valorizam a fidelidade e a qualidade do sinal.

Geralmente você leva seus próprios amplificadores ou trabalha com o que as casas oferecem? Você tem alguma dica para conseguir o timbre desejado em amplificadores que nem sempre são parecidos com o que você usa?

Já levei muito quando tinha um Vox VT-20+, pois utilizava muito os efeitos dele. Hoje em dia, pela praticidade, não levo mais. E quando utilizo o amplificador da casa, procuro explorar o meu pedal Double Drive para dar a cara que desejo no amp e também meu pedal equalizador, para valorizar ou cortar alguma frequência que o amp da casa valorize ou não.

 

DSC02011.jpgQuais são os planos para 2019/2020? (lançamentos, turnês, shows, etc.).

Meu primeiro plano pessoal, é lançar as músicas do meu projeto solo, o Shaking Leaves. Tenho mais de dez músicas compostas e preciso externalizar isso. Além disso, sigo com a Little Room que tem planos para lançar músicas, fazer mais shows no RJ e fora.

 

Um recado para os seguidores do Guitarra Independente?

Enquanto músicos, guitarristas e membros de bandas, temos que tentar, ao máximo, compartilhar informações e dividir experiências, só assim podemos crescer no ramo. Vemos muitas pessoas, até mesmo grandes artistas, que não gostam de compartilhar o que fazem, o que usam, como usam, os seus contatos e isso é a maior besteira. A música tem espaço para todos.

 

Vamos aos equipos do Gabriel!

Pedais:

Tech 21 Double Drive > Walrus Defcon 4 > Walrus Messner > Boss SD-1 Waza > Polytune 2 mini> Pink Snow FX King of Chill > Lobo Custom Booster (ou Matthews Effects The Chemist) > Walrus Fathom > Pink Snow FX Butt Freeze (ou Danelectro Reel Echo).

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Guitarra que mais usa:

Fender Jazzmaster Modern Player

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Amplificador:

Orange Crush 20

 

 

Se você gostou da matéria e tem alguma pergunta, sugestão ou gostaria de indicar algum guitarrista comente abaixo deste post ou mande um email para iurigriga@hotmail.com, ficaremos felizes em responder.

 

Obrigado e bóra tocar guitarra!

Ass.: Iuri Griga (guitarra independente)

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